ressaca eterna sobre faq journal

14.11.14

o segredo tem seus méritos.

Mantendo a tradição de fazer relatos de shows, fiz login nessa conta que nem lembrava mais existir. O Circuito Banco do Brasil, entretanto, merecia ficar registrado para a posteridade. Apesar da péssima escolha de local - a Apoteose - eu e Lizzy conseguimos chegar ao nosso destino utilizando aquele velho ditado que vou repetir errado como todo faz "quem tem boca vaia vai a Roma".
Chegamos a tempo do show do MGMT, que foi mágico. Mágico no sentido floresta encantada ou algum capítulo perdido de Alice no País das Maravilhas. Infelizmente o povo não conhecia muito da banda e - no que eu considero um desrespeito enorme - ficaram sentados em caixas de papelão e mexendo no celular enquanto a banda tocava e imagens psicodélicas passavam no telão. Não me importei. Dancei até não poder mais. Um rapaz do meu lado e uma menina um pouco mais atrás também dançavam como se tivessem tomado uma boa dose de ácido antes da banda começar a tocar.
Depois tive que - infelizmente - aturar Paramore. Passei a maior parte do show de braços cruzados e praticando minhas técnicas de meditação, visto que - numa falta de respeito maior ainda - algumas pessoas usaram as caixas de papelão distribuídas pela organização como degrau, bloqueando a visão de quem estava atrás. Inclusive de uma amiga que fizemos por lá, Ida, uma finlandesa que tinha vindo de Brasília só pra ver o show. Não vou me estender nesse fato porque é algo que prefiro esquecer.
E por fim chegou a vez de Kings of Leon. Quem me conhece sabe que minha paixão por Kings of Leon beira a obsessão patológica. Estar perto de Caleb Followill era um desejo que tinha desde o segundo ano do ensino médio, quando eu e Lillix ficávamos escrevendo fanfics durante as aulas. E cheguei perto. Cheguei o mais perto possível. No meio de uma chuva torrencial, os fãs de Paramore foram embora ao fim do show, permitindo que eu e Lizzy chegássemos a grade (uma espécie de reprise do show de Muse, onde também conseguimos chegar na grade depois do show da Florence). Muita chuva, muito empurra-empurra, mas nos mantivemos firmes e fortes, esperando a banda entrar. Vimos o Nacho no palco e gritamos o nome dele, e ele - todo lindinho - acenou de volta e sorriu.
Como se fosse mágica, ou destino, no minuto que a banda colocou os pés no palco, ali, bem pertinho da gente, a chuva cessou. Na hora. E a partir daí foi tudo tão lindo que não sei bem como descrever. De vez em quando me perdia olhando pro Caleb, parado bem na minha frente (conseguia ver até os furinhos da camisa dele) e tinha que raciocinar se aquilo tudo era mesmo real. Era.
20 e poucas músicas depois, alguns sorrisinhos por parte do Matthew para gente, uma setlist perfeita e uma camisa encharcada e o show acabou com aquela sensação meio surreal. De bônus ainda voltamos com um taxista simpático, fã de rock e de cinema, pró-feminismo, que ficou conversando conosco a viagem inteira sobre os shows que ele já havia ido, filmes e questões sociais. O universo conspirou ao nosso favor, com certeza.

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