ressaca eterna sobre faq journal

21.6.15

no more bad dreams.

Ontem, pela primeira vez em muito tempo, acordei de um pesadelo com medo. Pra falar a verdade, fazia um bom tempo que não tinha sonho ruim (e quando tinha, não ligava). Despertei e senti uma sensação horrível no peito, um desespero, impotência, vontade de chorar, uma presença ruim ao meu lado. Peguei o computador e tentei me distrair, acabei adormecendo de novo, tendo outro sonho ruim e acordando quase meio-dia.

Anda muita coisa na minha cabeça ultimamente. Fico me preocupando com o Lucas na cadeia, indignada com a merda que é a nossa justiça e como a gente é impotente perante ela, e não sei até que ponto isso é transferência (no sentido psicanalítico), porque tenho lembrado com muito mais intensidade que o normal da época que visitei meu biogenitor numa prisão. Engraçado essa coisa de memória, né. Eu tinha uns seis anos de idade e até hoje não consigo comer Chokito porque uma moça que estava visitando o filho me ofereceu uma caixa, e agora o chocolate pra mim é sinônimo de reviver aquela visita à cadeia.

Então tem isso, tem uma preocupação latente que minha saúde mental (e física) esteja deteriorando, que eu esteja depositando todas as minhas esperanças num evento só, tem um pavor de que voltar pra Europa ressuscite um monte de sentimentos ruins, a sensação de que eu sou uma refugiada sem pátria, de que nada vai dar certo, de que eu tô sendo otimista demais, de que eu tô muito velha pra ser alguma coisa da vida (Torschlusspanik), que não vou dar conta de passar em Cálculo, de que meu cachorro tá morrendo e eu tô me afastando das pessoas, e tudo culminou num sonho horrível.

Alguém alguma vez disse que a gente não pode se tornar mais aberto ao prazer sem também se tornar mais aberto ao sofrimento. Tô esperando a primeira parte dessa frase ainda, porque a segunda tô tirando de letra.

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