ressaca eterna sobre faq journal

21.12.16

e chora o capitalismo.

A cada ano que passa é mais difícil saber o que eu gostaria de ganhar no Natal. Mesmo que papai Noel fosse real ou eu tivesse um orçamento ilimitado. Acho que isso é bom sinal.
Honestamente não quero nada grande. Não preciso de nada grande.
Talvez fosse legal ter um acúmulo de coisas pequenas: um aspirador de pó, uma plantinha, adotar um gatinho, uma caixa pra guardar papel, um suéter baratinho e um daqueles aquecedores portáteis pra colocar na sala. Nada que seja prioridade, nada que eu não possa viver sem.

4.12.16

mais de 365 dias depois.

Eu nunca imaginei que a vida pudesse ser tão boa. Mesmo com o frio, a chuva, o tempo nublado e todos os perrengues. Está tudo mais que bem. Aprendi a enfrentar os puxões de tapete. Aprendi a dar tempo ao tempo, a ter paciência, a seguir em frente e voltar atrás conforme é preciso. Estar em paz.

9.11.16

lost in translation.

o professor pediu pra gente desenhar uma xícara com café.
a gente desenhou: uma xícara com café.
era pra desenhar: uma xícara, usando café.

4.11.16

meritocracia.

O gostoso de uma semana útil completinha (ou semi-completa, graças ao feriado na terça) é que o fim de semana se torna ainda mais prazeroso, porque vem acompanhado daquela sensação de merecido descanso.

29.10.16

chororô.

subi as escadas do prédio chorando, torcendo pra não encontrar com nenhum vizinho.
eu nem sei bem por quê.

10.10.16

grafite.

eu nunca reprovei em matéria nenhuma na vida. nem quando eu tive que estudar lacan. também nunca fiquei em recuperação, dependência, prova final. não porque eu gosto de estudar, mas justamente porque eu não gosto de estudar. quero ter férias o quanto antes, quero ter o maior número de dias de folga possível.

tô sentindo que vou reprovar em desenho I. desenho.
sobrevivi a lacan, skinner, freud, jung e tô achando que vou ser derrotada por um lápis hb2 e um sombreado mal feito.

minha mãe é arquiteta, desenha bem pra caralho.
meus irmãos também.
eu não.

eu escrevo bem, eu acho.
tiro umas fotografias legais também, de vez em quando.
mas não consigo fazer uma linha reta nem pra salvar minha vida.
ou minhas notas.

é uma sensação esquisita, sabe?

só descubro o fim dessa história lá em fevereiro.
até lá é chorar enquanto afia o lápis e seguir em frente.

12.9.16

o problema da segunda é você.

hoje o dia foi produtivo.
– fiz uma plaquinha de identificação para lola. me custou 10 euros (doeu o bolso) e deve ficar pronta sexta-feira.
– fui a dois mercados diferentes porque quando é você que tem que fazer o dinheiro render até o fim do mês, nunca é demais caçar promoção e ponderar o que realmente precisa comprar ou não (e eu precisava muito de café).
– de tarde encontrei com a minha irmã na primark. comprei uma vela aromática, 7 pares de meia e uma camisa. o total deu 6,50 euros.
– ao chegar em casa, descabelada, cansada pós metro lotado + subida da ladeira mais íngrime e longa de lisboa até minha rua, o meu senhorio toca a campainha. chegou da viagem dos açores, me trouxe uma caixa de figos, me apresentou a esposa, foi ver o vazamento do banheiro. pra quem não sabe, meu senhorio tem 80 e poucos anos e é recém-casado com a paixão da juventude. se conheceram durante a guerra, se reencontraram 60 anos depois por acaso, casaram. ele deve ter visto a caixinha de areia da gata. não disse nada. saiu com um sorriso. acho que tá tudo bem.

mais tarde tem jogo dos boston red sox. é segunda-feira e o dia foi bom.

10.9.16

e em outubro.

Começo de Outubro ela chega. De dia tenho certeza de que tomei a decisão certa. De noite é mais confuso. Quando vou tomar o café-da-manhã na cozinha me imagino cumprimentando ela, botando a coleira, levando pra passear. Com a cabeça no travesseiro eu só penso "que merda eu fiz?".
A gente assume a decisão e leva até o fim.

26.8.16

the night of...


the night of, nova série da hbo, começa meio chata. garoto muçulmano certinho de ascendência paquistanesa rouba o táxi do pai pra ir numa festa da faculdade, encontra uma garota no caminho, vai pra casa dela, usa drogas com ela, transa com ela, e quando acorda dá de cara com a garota brutalmente assassinada no andar de cima. ele, claro, acaba sendo acusado do crime.

levei três dias pra assistir o primeiro episódio. assisti os três episódios seguintes em um dia só. tem uma cinematografia lindíssima, produção do falecido james gandolfini e um enredo ligeiramente viciante. afinal, ele matou ela ou não? e se não matou, como vai provar tendo todas as evidências contra ele e nenhum outro suspeito? como boa série da hbo, demora um pouco pra engatar, mas quando engata é uma maravilha.

recomendo.

25.8.16

morar sozinha.

01. A gente arranja um milhão de desculpas para sair porque não tem muito o que fazer em casa. Hoje foi arranjar uma escova de cabelo. Amanhã é arranjar caneta.
02. Televisão faz falta.
03. Maratona de How to Get Away with Murder faz bem.
04. Gatos lidam muito mal com mudanças. Muito mal mesmo.
05. Eu agora entendo a Rory no primeiro dia do dormitório em Yale.
06. O tempo de manhã passa mais devagar quando você está em casa. Voa quando você está na rua.
07. As paredes desse prédio são bem grossas.
08. Eu preciso de um cachorro.
09. E preciso lembrar de não abrir a janela no horário da janta do vizinho se não quiser que a casa fique fedendo a refogado a noite inteira.
10. Desfazer malas é pior do que fazê-las (ainda não desfiz a minha).

Tirando isso, surtos psicóticos tem sido evitados com sucesso desde meados de Julho.

24.7.16

azul celeste.


Se eu tivesse que reclamar de uma coisa daqui, reclamaria do clima, que aparentemente é uma coisa bem europeia de se fazer – todo povo desse velho continente parece eternamente insatisfeito com o clima. Não chove. O céu tá sempre um tom lindíssimo de azul, raramente tem nuvem, mais raramente ainda chove. Umas gotas d’água caindo lá de cima agora seria uma boa. Pra aliviar o calor e pra aliviar a mente. Sempre me sinto melhor no tempinho nublado, aquele cinza tão confortável, uma iluminação natural quase meia-luz, a desculpa perfeita pra não fazer nada produtivo além de alimentar os próprios devaneios.

Preciso devanear.

22.7.16

sobre cachorros e cachorros.

Existe um historinha popular sobre a diferença de sexo entre cachorros que diz:
Se uma cachorra fêmea pudesse falar ela diria "me ame, me ame, me ame".
E se um cachorro macho pudesse falar ele diria "te amo, te amo, te amo".

A cachorrinha que eu mais amei na vida era um fêmea de labrador, dourada, bagunceira, comeu metade do sofá e minha mochila favorita. Ela era o Marley antes do Marley. Às vezes ela fugia de casa, sabe-se-lá como, pra dar uma volta pelo condomínio. E quanto mais a gente corria atrás dela, mais ela corria da gente, achando tudo uma grande brincadeira. Porque com cachorro não tem essa de levar a vida muito a sério.

E eu nunca precisei pedir pra ela me amar porque eu tinha toda a certeza do mundo que ela me amava. E eu a amava de volta. Até quando ela destruía os meus sapatos e os cds que eu ganhava de aniversário. Até quando comeu meu álbum de figurinha do Harry Potter, o pneu da minha bicicleta e mastigou o meu skate. Na minha mente de criança, aquilo não importava porque eu tinha a cachorrinha mais fofa – e possivelmente menos obediente – do mundo.

Há um tempo atrás eu estava pensando em adotar um labrador.
Macho.
Chocolate, no máximo preto. Dourado nunca.
Porque o melhor labrador dourado do mundo já nasceu, cresceu comigo e infelizmente faleceu. E depois dela nunca mais vai ter outro.

14.7.16

gerúndios.

Tendo ataque de pânico em público, em um restaurante italiano relativamente cheio, e tentando não pensar muito nisso pra não ter medo de acontecer de novo.

Mandando e-mails para faculdades e cruzando os dedos.

Tentando aprender a não criar esperanças.

Comprando almofadas rosa e cinza pro quarto. E muita decoração envolvendo cervos e veados.
Talvez uma tatuagem.

A Espanha tortura e mata mais de 50.000 galgos por ano. Quando chegar o momento certo de trazer um cachorro pra minha vida, eu espero conseguir adotar um galgo espanhol.

23.6.16

serenidade e um ligeiro abandono das letras maiúsculas.

a vida tem sido um grande teste de paciência.
eu tenho aprendido a lidar com a espera, com a frustração de que não há nada a fazer quando coisas não estão sob o meu controle. que nem tudo é minha vontade.

é difícil e às vezes dói, mas é uma lição. é necessário.

no aa a oração da serenidade é tão importante que quase parece algo físico ali no grupo. e eu fico repetindo pra mim mesma:

concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
coragem para modificar aquelas que podemos,
e sabedoria para distinguir umas das outras.

12.3.16

109 dias depois.

E tá tudo bem. Ainda tem seus altos e baixos, mas os altos são cada vez mais frequentes e os baixos nunca chegam tão fundo. A gente vai reaprendendo a se sentir feliz sem se fazer tantas cobranças. A gente vai reaprendendo a não se importar tanto, a se encontrar em si mesmo, a colocar os valores nos lugares certos.

Eu achava que Berlim que ia salvar minha vida, acabou sendo Portugal. Quem diria?

11.3.16

Um dia ainda moro no Mitte.


Fazendo planos pra paleta de cores do futuro quarto, já que o teto verde desse não colabora muito pra liberdade criativa. A manta cinza já tenho, falta a almofada branca, preta e rosa-quartz. E o quarto, é claro.
Imagem por @chloe.larkin.

25.2.16

Três Parágrafos e Dois Links.

Ando num saudosismo tamanho que só revejo seriado antigo. Primeiro foi Friday Night Lights, depois The West Wing, hoje já estava eu procurando por Breaking Bad no Netflix porque vai que já esqueci a trama o suficiente para aproveitá-la novamente? Acabei ficando com preguiça, achei melhor ouvir Radiohead. Eu escrevia melhor quando ouvia Radiohead, eu escrevia melhor quando ouvia Placebo, eu escrevia melhor.

Acho que tô tentando resgatar alguma coisa que perdi no meio do caminho.

Pela primeira vez entrei nesse blog e ao invés de tristeza, me senti bem. Me senti bem porque eu tô bem. Cheia de altos e baixos, mas de poucos em poucos o quadro geral da vida tá melhorando. No fim do túnel já não tem mais outro túnel, tem finalmente a tal da luz. E a certeza de que Thom York não é humano, sei lá de que planeta ele é, mas é pra lá que eu quero ir depois que essa jornada terrestre acabar.

10.1.16

São 10 da noite.

Eu posso ouvir o vento, mas não posso vê-lo.

Esse pensamento tem estado preso na minha cabeça há alguns dias. De noite, rajadas de vento atingem 50km/h e eu posso ouvir, mas não posso ver. Eu abro a janela, na esperança da visão de árvores balançando, galhos se curvando, folhas voando, mas só o que tenho é o som do ar atravessando os becos que dão para a praça. É diferente do que estou acostumada, e é belo a sua própria maneira.