ressaca eterna sobre faq index

16.6.18

gosto mais de janelas do que de portas.

A última coisa que se vê da vista da minha janela são os aerogeradores do parque eólico de Lisboa. Tão distantes que um pequeno grau de miopia (ou óculos um pouco menos precisos) impediriam ver as hélices girando em sua calma sintonia. Mais próximo se vê o Estádio da Luz, e girando a cabeça alguns milímetros para a direita, o Colombo. As colinas, os prédios novos, os prédios antigos. A imensidão do Parque Florestal de Monsanto – uma benção nos quentes e prolongados verões ibéricos.

Quando encontrei esse apartamento, foi a vista desimpedida de Lisboa que fechou o negócio. Gosto de poder sair do meu mundinho e lembrar da imensidão que ainda existe do lado de fora das minhas janelas de vidro.

8.6.18

equilíbrio químico em 23 letras.

Gosto de deixar esses pequenos registros espalhados por aqui (e por meus inúmeros diários e cadernos) porque revisitar os bons e os maus momentos – e concluir que tudo passa –, me traz uma paz que nenhuma terapia ou fármaco é capaz de trazer.

7.6.18

foi quinta, foi-se quinta.

chorar de raiva pela burrice alheia. perder o ônibus por estupidez e em dia de chuva. um pequeno inferno astral localizado.
presenciar uma doida discutindo com o próprio reflexo na geladeira dos frios do supermercado. os brasileiros iam roubar seu fígado, seus rins, sua vagina.
uma troca de olhares assustada e cheia de cumplicidade com o atende angolano da área dos queijos.

dez centimos por uma sacola de supermercado sem uma das alças.

pegar chuva. lavar a alma no caminho até em casa. subir as escadas feliz.
chorar de raiva pela burrice alheia. reprise. encore.

respirar fundo.
não tem muito o que se fazer.

se acalmar com o som dos pingos grossos de chuva batendo contra a janela, escorrendo nos estores. amanhã é um novo dia. amanhã fica tudo bem. amanhã tem cheiro de café gostoso na sua caneca favorita.

22.5.18

são dois meses. duas frases.

eu só preciso que esse semestre acabe.
e eu só preciso sobreviver até o seu fim.

1.4.18

sol em áries.

Não é bem inferno astral.
É um reflexo de estar ficando mais velha do que eu gostaria – como se eu tivesse alguma escolha –, com o descaso acadêmico que foi o mês de Março.
É a fraud police batendo à porta.
Aquela sensação que te engole às vezes de que você não faz a menor ideia do que está fazendo, do que deveria fazer, de como deveria fazer. Só sabe que seja lá o que está fazendo, está fazendo errado. Recorrente nas madrugadas dessa última semana.

Intercalado com isso vem aquela paz.
Proveniente de caminhadas por Lisboa. De enfrentar medos irracionais. De organizar as coisas da melhor maneira possível. De maratonar seriados do Gordon Ramsay. De fazer listas de compras na IKEA sonhando com o dia que finalmente vou terminar de decorar o apartamento.

Olá, Abril.

13.3.18

🌧

há duas semanas que só chove.

5.3.18

ainda sobre tempestades.

Fui acordada no meio da madrugada com o som alto dos trovões e da vibração dos estores na janela. Desde que passei a gostar mais de caminhar sem rumo e admirar a vida, passei a gostar menos de chuva, ou para ser mais justa, da limitação que esta impõe. Mas eu sinto falta das tempestades. Da força dos relâmpagos rasgando os céus e do estrondo e estalar dos trovões. Dos clarões azulados. De relembrar o quão ínfimo somos nós perante a natureza.

Quase nunca relampeja em Portugal.

2.3.18

for a minute there.

E depois de todos esses anos, Radiohead mantém sua capacidade de me transportar para outro mundo, flutuar no timbre do Thom Yorke, me perder nos acordes do Jonny Greenwood. É inspiração instantânea.

1.3.18

o trem de alcântara parou em silent hill.



O Inverno é bem bonito quando se registra a vista e não o frio.

28.2.18

fevereiro em polegadas.

Com o fim da correria da época dos exames, chega a época de botar as dezenas de seriados atrasados em dia ou diminuir a lista das séries que quero assistir. Menções honrosas para:

Agents of Shield que eu achei que seria uma série bobinha, pra matar tempo e para assistir antes de dormir e acabou se revelando uma puta série foda. Aproveitei o embalo da Marvel para assistir The Punisher e já é a minha favorita da parceria com a Netflix.

Finalmente comecei a ver American Crime Story e terminei em menos de uma semana. E novamente no embalo de séries sobre true crime, vi Manhunt: Unabomber. Também rolou a segunda temporada de Travelers, mas tô bem frustrada com o episódio final de uma temporada que foi boa demais.

E falando em temporada boa demais, meu Deus, o que foi essa segunda temporada de Stranger Things? Ia assistir só alguns episódios, acabei maratonando, sonhando com a série, e já tô triste de ter que esperar uma possível terceira temporada.

Ontem aproveitei para começar a terceira temporada da minha queridíssima Mr. Robot, mas estou tentando me controlar para assistir os episódios conforme forem sendo gravados no DVR para fazer a série durar o máximo possível.

27.2.18

revenge of the obra.

o vizinho do prédio ao lado ficou anos em obra batucando na parede do meu quarto quando eu ainda morava no brasil.

e cá estamos nós de novo.
o apartamento acima do meu resolveu aparentemente demolir tudo e começar do zero.
oito horas da manhã ou estão quebrando o chão, na minha cabeça.
ou estão quebrando o teto, e os pedaços caindo no chão, na minha cabeça.
volta e meia rola uma britadeira.
vale lembrar que o apartamento é micro. eu não sei que tanta coisa eles tem pra quebrar.

joguei pedra em pedreiro em outra vida.