Se me perguntassem nos primeiros dois anos pré-clínicos como era a faculdade de medicina, eu responderia que não é assim tããão difícil quanto as pessoas fazem parecer. Desde que você mantenha uma boa rotina de estudos e esteja disposto a perder temporariamente a sanidade mental em épocas de exame, é viável.
Nos primeiros anos você aprende sobre o funcionamento normal do corpo. Isso faz aquilo. Aquilo faz isso. A acontece por causa de B. B estimula C. C inibe D. E por assim vai. É de certa maneira bem linear. O maior momento de desespero é tentar aprender o ciclo de Krebs de cor e como todos os pathways interagem, but that’s it. (Isso é escrito em retrospecto e em comparação com agora porque na época que eu estava passando por esses anos eu surtava sim).
Aí chega no terceiro ano e que porra é essaaaaaa? Doenças. Tudo que pode dar errado no corpo, uma lista enorme de sintomas, o que eles significam isoladamente, o que eles significam em conjunto, quais exames de diagnóstico, valores de referência, como interpretar os resultados, que exames extra pedir de acordo com o resultado dos exames anteriores, algoritmo de tratamento sem complicação, algoritmo de tratamento com comorbidades, estratégia pra doenças resistentes a tratamento, dosagem de medicamento, combinações recomendadas, combinações que podem matar o paciente, como calcular risco, etc. etc. etc. Teste na segunda semana de aula, exame com dois semestres de matéria, ir pra faculdade às 7h e voltar às 21h tendo matéria pra estudar pra aula seguinte que começa às 8h da manhã, ter que ir no mesmo dia a dois hospitais que ficam em margens opostas da cidade, o que é tempo livre, o que é fim de semana, o que é relaxar sem culpa?

Não trocaria por nada do mundo, mas que Deus me ajude e may Jesus take the wheel pen quando eu estiver fazendo prova. Objetivo dos próximos 6 meses: SURVIVE.
Sem comentários:
Enviar um comentário