22/12/2024

quinceañera.

esse blog fez 15 anos em outubro. os únicos anos em que ele não recebeu novos posts foram 2012 e 2013. pra comemorar mudei o visual um pouco radicalmente. o meu primeiro blog, perdido em outra conta, tinha fundo preto com letras neons. esse blog passou a vida inteira dele com fundo branco e letras em tons de cinza. agora entramos na fase do fundo rosa e letras azuis.

gosto do conforto de escrever aqui sabendo que ninguém mais lê. também gosto de pensar na possibilidade extremamemente remota de que talvez um dia alguém encontre esse blog por acaso e o leia.

às vezes encontro blogs antigos dos outros, na sua maioria abandonados lá pra 2014 (foi culpa do tumblr ou do instagram?) e adoro ter uma janela virtual pra vida de uma pessoa que jamais saberei quem é. às vezes lendo meu próprio blog eu também sinto como se estivesse lendo sobre uma pessoa que eu já não conheço. houve uma época da minha vida que esse fato me perturbava bastante, eu lia meus posts antigos e sentia falta de ser aquela pessoa. hoje dia lembro dela com carinho, como se lembrasse de alguma amiga da adolescência, mas estou feliz o suficiente com a pessoa que sou para aceitar que já não sou mais a mesma.

e é isso. parabéns atrasado para o ressaca eterna (nomeado em homenagem ao julian casablancas), também conhecido como eu não estou aqui, (em homenagem ao radiohead).

21/12/2024

petlia pristrastiya

Outro relato tardio, antes tarde do que mais tarde ainda?

Comprei o bilhete assim que cheguei em casa do show do Molchat Doma, empolgada pra ver outra banda bielorussa (dessa vez uma que recentemente passou a cantar em bielorusso para abandonar o russo em solidariedade com seus compatriotas e os ucranianos). Não percebi que eu tinha um exame no mesmo dia e que corria o risco de chegar atrasada pro show. Acabei conseguindo acabar o exame rapidinho e pegando um ônibus direto pro bar, num área sinistríssima.

O show mais vazio que provavelmente já fui. Fiquei encostada no palco porque não tinha grade e também não tinha quase mais ninguém. Confesso que fiquei com uma certa pena, mas assim que o show começou me diverti bastante, apesar de pressão de estar de cara com a banda. Me senti meio observada, piorado pelo fato de que eu só conheço as músicas bielorussas do novo álbum e nenhuma das músicas russas mais "clássicas" da banda. Tentei curtir e empurrar de lado a sensação de estar meio out of place.

No final do show pedi a setlist pro guitarrista e ele veio me dar todo feliz. Um babaca do meu lado quase tentou pegar pra ele, mas nem fodendo, rapaz, nem fodendo.

Uma setlist escrita à mão ainda por cima, tem como não amar?

15 de Novembro, 2024
Laska V21 – Rīga

20/12/2024

molchat doma: belaya polosa

Esse relato está sendo escrito mais de um mês após o show. Vacilei.

Substimei o quão popular Molchat Doma é por aqui. Sai de casa sem casaco achando que não ia ter que esperar em fila... tinha uma fila enorme para entrar, estava chovendo, estava escuro, estava cheio de góticos de maquiagem estilo Kiss.

Virando na esquina para o portão de entrada, me para um cara pra falar comigo em russo. Eu – que não estava de bom humor por estar toda molhada e cheia de frio –, só fiquei o encarando sem dizer uma palavra. Ele trocou para inglês pra me perguntar you don't speak russian? com um ar de extrema surpresa, quase como se o fato fosse um absurdo. Dois dos emos góticos (affectionate) que estavam a minha volta, de grupos diferentes, tomaram ofensa. No, we don't speak russian. O cara desescalou a situação perguntando se a gente estava no show então porque gostava da música, depois resolveu puxar assunto comigo me perguntando de onde eu era, ficou ainda mais chocado que eu era do Brasil, e perguntou se podia entrar no show comigo. Tive que fugir dele once inside porque nope.

A banda de abertura was definitely something. Não lembro o nome, mas eram do Texas. Em certo ponto o vocalista, com um ar de pastor da igreja universal, começou a dar um discurso que se estivesse alguém ali que sofria de depressão ou de abuso de substâncias, que eles não estavam sozinhos. Quis rir. Fofo, mas inesperado.

Que showzaço. Que emoção. Eles tinham vindo aqui em 2022 e eu tinha perdido o show, dessa vez não cometi o mesmo erro. Estava atrás de um cara de dois metros de altura, mas consegui ver o Egor o show inteiro por cima dos ombros dele. Raman foi um fofo. Pasha também. Cantei, pulei, não arrisquei cantar nada além do refrão de Танцевать que é a única que sei a letra com confiança.

P.S.: Como o show era no Palladium de novo, dessa vez fui preparada com earplugs e nunca mais vou a show nenhum sem eles.

13 de Novembro, 2024
Palladium – Rīga

01/09/2024

will not cry in public.

Se me perguntassem nos primeiros dois anos pré-clínicos como era a faculdade de medicina, eu responderia que não é assim tããão difícil quanto as pessoas fazem parecer. Desde que você mantenha uma boa rotina de estudos e esteja disposto a perder temporariamente a sanidade mental em épocas de exame, é viável.

Nos primeiros anos você aprende sobre o funcionamento normal do corpo. Isso faz aquilo. Aquilo faz isso. A acontece por causa de B. B estimula C. C inibe D. E por assim vai. É de certa maneira bem linear. O maior momento de desespero é tentar aprender o ciclo de Krebs de cor e como todos os pathways interagem, but that’s it. (Isso é escrito em retrospecto e em comparação com agora porque na época que eu estava passando por esses anos eu surtava sim).

Aí chega no terceiro ano e que porra é essaaaaaa? Doenças. Tudo que pode dar errado no corpo, uma lista enorme de sintomas, o que eles significam isoladamente, o que eles significam em conjunto, quais exames de diagnóstico, valores de referência, como interpretar os resultados, que exames extra pedir de acordo com o resultado dos exames anteriores, algoritmo de tratamento sem complicação, algoritmo de tratamento com comorbidades, estratégia pra doenças resistentes a tratamento, dosagem de medicamento, combinações recomendadas, combinações que podem matar o paciente, como calcular risco, etc. etc. etc. Teste na segunda semana de aula, exame com dois semestres de matéria, ir pra faculdade às 7h e voltar às 21h tendo matéria pra estudar pra aula seguinte que começa às 8h da manhã, ter que ir no mesmo dia a dois hospitais que ficam em margens opostas da cidade, o que é tempo livre, o que é fim de semana, o que é relaxar sem culpa?

Não trocaria por nada do mundo, mas que Deus me ajude e may Jesus take the wheel pen quando eu estiver fazendo prova. Objetivo dos próximos 6 meses: SURVIVE.

26/07/2024

Errar por não querer errar.

Sinto falta da época em que eu mesma não complicava tanto a minha própria vida. Da época que eu não pensava tanto em consequências. Sofrer por antecedência é uma merda. Sinto falta da época que eu simplesmente fazia. Da época em que eu não obcecava sobre erros passados (que nada posso fazer pra mudar) e não ficava com tanto medo de estar errando a cada decisão que penso em tomar, pra não ter que obcecar sobre ainda mais erros no futuro.

Às vezes acho que estou regredindo um pouco mentalmente, mas não sei se é real ou se faz parte do estado em que me encontro. Um estado de puro tédio causado por férias longas demais sem nada pra fazer. Saberemos em Setembro.
05/07/2024

fontaines d.c.: romance

Esses últimos 2 ou 3 semestres da faculdade foram super estressantes. Quando minhas férias começaram, eu estava completamente esgotada. A ponto de quase não ir ao show do Fontaines D.C. cujo ingresso eu tinha comprado uns meses antes na maior empolgação. Meu irmão é testemunha – quando vi que eles vinham pra cidade na turnê do Romance eu quase chorei de alegria.

Mas acabei indo. A contra gosto, meio que só por ir, porque sabia que se não fosse eu ia me arrepender.

E ainda bem que fui.

A casa de show fica bem pertinho da minha casa, uns três minutos andando, contando o tempo de esperar o sinal abrir. Cheguei uns 20 minutos antes do tempo que constava no ingresso (de novo, minha vontade de ir era zero, não tinha paciência de chegar mais cedo) e além do ônibus da banda parado na frente, o lugar não estava muito cheio. Foi a primeira vez que entrei lá. Um segurança pediu em inglês pra ver o conteúdo da minha bolsa (que só tinha minha chave de casa) o que achei meio engraçado.

Fiquei na fila pra comprar merch, porque why not?. Comprei uma blusa vermelha tamanho S, mas que esqueci que era tamanho unisex então ficou enorme em mim (e custou 30 euros). Porém achei tão lindinha que vou depois ver se arranjo uma casa de costura pra ajustar ao menos o comprimento já que ela bate no meio das coxas.

Sem muita empolgação pra ficar no meio da muvuca, acabei ficando em cima de uma muretinha ou sei lá como chamar aquilo. Foi ótimo porque ainda estava bem vazio quando cheguei, não era assim tão longe do palco, e eu tive vista desimpedida o show inteiro (fato importante porque a média de altura desse povo é pra lá dos 1,80m), estando atrás apenas de duas mulheres italianas baixinhas como eu.

A banda de abertura começou a tocar às 20h, com um tímido „sveiki” – e foi nessa hora que eu pensei „fodeu” porque o volume do som estava quase estourando meus tímpanos. De doer mesmo, de eu ter vontade de tampar os ouvidos ou ir ao banheiro pra escapar do som por alguns minutos. Eu sou paranóica com a minha audição – tenho limite de volume no meu iPhone e tudo, e Jesus, achei que ia ficar surda. A banda era ótima, mas o som estava tão alto que não consegui curtir.

Fontaines D.C entrou em palco lá pras 21h, eu acho. O som continuava alto pra cacete, meus ouvidos continuavam doendo, eu continuava preocupada de ficar surda e me arrependendo de ter julgado uma amiga americana que disse que levava earplugs pra shows. No próximo show que for nessa casa, certamente levo um.

Me arrependi um pouco de não ter ficado na muvuca, porque quando a banda chegou eu só queria dançar e pular, o que é difícil quando você está num lugar alto e restrito. Mas ainda assim foi incrível. Apesar de não estar na grade, me senti super perto da banda, talvez porque eu estava na linha de visão deles. Incrível, incrível, incrível. Além das músicas mais famosas dos outros álbuns, eles também tocaram uma música nova (Favourite, que foi lançada como single uns cinco dias depois), e Starbuster (que fiquei chocada de quão alto o pessoal cantou, considerando que é uma música nova).

O show terminou lá pras 22h e pouca, e eu tomei um susto quando saí da casa de show e estava… dia? Claro como se fosse umas e da tarde, ainda mais saindo de um lugar fechado e escuro. Andei pra casa com um sorriso bobo no rosto e os ouvidos tinindo sem parar. Graças a Deus minha audição no dia seguinte já estava de volta ao normal.

Que bom que eu fui, que bom que eu fui.

15 de Junho, 2024
Palladium – Rīga